Eu ainda estou por aqui

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Caramba, quanto tempo não escrevo aqui. Minha última postagem foi em Outubro de 2019. Que saudades de escrever alguma coisa aqui e interagir com meus queridos leitores. O problema é que acredito que o blog está tão abandonado que será dificil alguém entrar aqui e efetivamente se interessar em ler alguma coisa (fica o desafio, se ler isso, deixe um comentário no final da postagem).


Abaixo algumas atualizações sobre tópicos específicos:



Vida Profissional

Tanta coisa aconteceu que fica até difícil lembrar. O que posso dizer é que eu estava sem trabalhar formalmente em Outubro/19, pois havia pedido demissão em Julho/19. Estava participando de alguns processos a até tive algumas oportunidades de voltar ao mercado de trabalho tradicional (empresas, multinacionais e nacionais de médio e grande porte), mas em Dezembro/19 acabei aceitando um convite de amigos para me juntar a um empreendimento no setor de tecnologia em forte crescimento. A empresa havia triplicado de tamanho nos últimos 2 anos e tinha a expectativa de dobrar novamente neste ano de 2020.

Meu papel, baseado na minha experiência em empresas do setor, seria o de estruturar o negócio para que a empresa pudesse alcançar resultados agressivos de forma sustentável no médio e longo prazos, compensado por uma boa remuneração variável atrelada a uma participação no negócio baseado em atingimento de resultados. Tudo ia conforme o planejado até meados de março quando veio a pandemia. O que posso dizer é que fomos fortemente impactados em termos de negócios, mas ligamos o modo sobrevivência para executar um plano conservador, visando manter o negócio saudável e preparado para novo ciclo de crescimento quando as coisas melhorarem. Por enquanto este plano alternativo está indo relativamente bem e a atividade de nossos clientes (e a demanda por nossos serviços) está retomando aos poucos.

Pandemia

É até difícil definir por onde começar. Pensando do ponto de vista científico (e de saúde pública), está claro que é um dos problemas mais complexos que a humanidade encontrou, pelo menos nos últimos 100 anos. Minha frustração se dá em ver discussão pela disputa política se sobrepondo aos aspectos científicos, ao custo de muitas vidas perdidas.

Obviamente, por se tratar de problema complexo, e pela falta de experiência efetiva da humanidade moderna em lidar com o assunto, temos que lidar com erros e acertos da comunidade ciêntífica. Por outro lado me chateia a atitude de políticos, sobretudo os que estão à frente do governo federal, em impor a sua visão puramente ideológica, beirando ao curandeirismo, para descolar-se da responsabilidade pela vida das pessoas.

A forma como nosso estimado presidente, e sua cúpula ideológica, trata o assunto é um dos piores aspectos da pandemia até o momento. A promoção de forma irresponsável de medicamentos sem comprovação científica pode causar danos irreparáveis. Existe uma diferença muito grande entre saúde pública e saúde individual. O tratamento para um indivíduo não tem, necessariamente, a ver com a forma como lidamos com políticas públicas de saúde. Não sou especialista no assunto (assim como o ministro da saúde também não é), mas me parece que as decisões tem sido bastante equivocadas.

Conheço várias pessoas que se contaminaram e felizmente nenhuma pessoa próxima veio a ter consequências graves. Isso, na minha opinião, se dá pelo fato de que o grupo social e econômico em que estou inserido (classe média alta), tem melhores condições de saúde em geral, assim como melhores condições para um tratamento precoce e adequado. Tenho médicos na família que trabalham em hospitais públicos e privados, e é consenso que os pacientes do sistema privado chegam aos hospitais em melhores condições que os do sistema público, o que mostra melhores resultados para os salvamentos no setor privado. Isso não está relacionado exatamente a qualidade do atendimento, mas a qualidade (de saúde) dos paciente. Os mais pobre já tem, em média, maiores problemas de saúde independentemente da pandemia, ou chegam ao sistema já em condições degradadas em função da COVID 19.

Sei que além das mais de 70.000 vidas que já perdemos em nosso país, ainda vamos perder muitas mais (pelo andar da carruagem vamos chegar a 100.000 mortos ainda no mês de agosto. Espero sinceramente que o bom senso prevaleça e que as autoridades tomem as decisões mais corretas para salvar o maior numero de vidas. As notícias nesta data dão conta que alguns medicamentos tem mostrado resultados promissores (não a cloroquina), assim como há um avanço significativa para a disponibilização de vacinas seguras até o final do ano. Com isso a vida deve voltar ao normal de forma gradativa.

Economia

A Economia vai de mal a pior. É óbvio que a Pandemia é a grande responsável pelas dificuldades no cenário econômico do país (e global) nos dias atuais, mas também não podemos negar que estava claro que o país já estava com dificuldades de retomar a atividade econômica com o vigor esperado, visto pelo desemprego que permanecia em patamares recordes sem grandes mudanças nos últimos 2 anos. As sequelas de políticas economicas devastadoras deixadas pelos 14 anos de governo do PT, associadas à falta de habilidade política do governo Bolsonaro (sem falar em desastrosas ações nos campos ambientais, relações exteriores e educação), já vinham mostrando que a recuperação seria muito mais lenta que o que se esperava inicialmente.

Finanças

No campo financeiro, posso dizer que nos últimos meses foram, sem dúvida, os mais voláteis em termos de emoções. Inicialmente, ao final de 2019, relato que meu patrimônio em capital (investimentos financeiros) finalmente atingiu o esperado patamar planejado para a Independência Financeira. Após isso, o que se viu foi um um grande sobe e desce, sobretudo no mercado de renda variável, com vários circuit breaks em sequência durante o mês de março, o que me vez duvidar da minha resiliência (teve dia que o patrimônio chegou a diminuir R$ 100K em poucos minutos). Mas consegui me manter firme na estratégia e continuei inclusive aportando durante a baixa. Neste momento praticamente já recuperei todo o patrimônio perdido (não considerando o topo, mas considerando novembro de 2019, que é um parâmetro mais realista).

Além da grande queda nos ativos de renda variável, houve queda também nos títulos de renda fixa pré-fixados mais longos (NTNB ou IPCA+), com o aumento momentâneo dos juros futuros, mas que já foram praticamente equalizados.

Com respeito aos investimentos no exterior, a situação é bastante curiosa, e mostra a importância em ter ativos atrelados em moeda forte. No auge da crise financeira, meus investimentos em RV no exterior estavam significativamente negativos em dólares, mas como houve aumento significativo da cotação do dólar frente ao real, o patrimônio em reais estava maior. Neste momento, o saldo em dólares praticamente recureu o saldo pré-crise, mas como o aumento da taxa de cambio, houve ganho significativo no saldo quando convertido em R$.

Vida Pessoal

A pandemia tem um efeito interessante sobre os sentimentos das pessoas e sobre a mudança nos valores pessoais. Para mim, não poderia ser diferente, pois tenho passado mais tempo com a minha família, tenho me preocupado mais com meus pais e com meus irmãos. Por outro lado, eu já havia mudado muito a minha forma de ver o mundo nos últimos anos, valorizando as relações humanas e familiares, de modo que as mudanças, para mim, me parecem menos intensas que a média da população. Tenho amigos que relatam que "descobriram" uma nova família durante este tempo de convivio com a esposa e os filhos. O que posso dizer é que para mim não mudou tanto, pois eu já estava em um patamar mais avançado neste quesito.

Nos últimos anos, tenho focado em ampliar o auto-conhecimento, através de leitura, estudo e até por terapia, de forma que eu já vinha bastante satisfeito com o meu eu. Falando em leitura, tenho lido bastante, mas ao invés de livros "técnicos", como por exemplo sobre finanças, economia, tecnologia, etc, consegui engrenar alguns livros interessantes sobre filosofia e fricção.

Bom galera, quero tentar postar mais aqui, vamos ver se consigo.

Forte abraço!

5 comentários

  1. Olá, EI! Bom ver um artigo seu e notícias suas.
    Fico contente que esteja bem, como as pessoas em seu entorno. Sim, o estado geral de saúde da classe mais alta é muito melhor do que a classe mais baixa. Não costumava ser assim, pois a classe mais baixa costumava se alimentar melhor e ser mais ativa fisicamente. Isso parece que se inverteu nas últimas décadas.
    Sobre recuperação sem sequelas da COVID-19, isso apenas o tempo irá dizer, já que recentemente saiu um paper na Nature onde até mesmo assintomáticos possuíam lesões nos pulmões. Mas acredito que a esmagadora maioria dos recuperados devem passar incólumes a problemas de saúde mais permanentes.
    Você parece tranquilo, fruto de uma maior sabedoria de como viver a vida, que quase sempre vem com a idade.
    Um grande abraço EI!

    obs: posso pedir para você adicionar o meu novo site?

    https://mundosoul.com/

    Um abs!

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    Respostas
    1. Grande Soul, mais uma vez uma grande honra tê-lo por aqui.

      Realmente ainda existe muita coisa incerta sobre a COVID19 e levará um tempo até que tenhamos ciência das reais consequências desta doença para os indivíduos e para a sociedade em geral.

      Parabéns pelo novo site, conteúdo muito bom. Já adicionei na lista lateral.

      Um forte abraço e parabéns pelos quarenta anos! Passei por isso há dois anos e foi um momento muito marcante para minha vida.

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  2. Muito bom o texto! Sua lucidez é muito importante, por favor, poste mais! Os investimentos em moeda forte realmente se mostram fundamentais para quem deseja ser FIRE.

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