Fechamento - Julho 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Mais um mês de sangria na bolsa brasileira e a coisa segue piorando no país, tanto no ponto de vista econômico como político.

Dólar nas alturas, juros e inflação altos, queda do PIB, lava-jato, impeachment. Aquela tempestade perfeita que todos alertavam se formou e está estacionada sobre o país. Isso tem trazido queda nos investimentos, diminuição do consumo das famílias, aumento do desemprego e a única certeza que temos é que esta tempestade vai ser mais longa do que se previa.

Pelo visto 2015 e 2016 já foram para o beleléu, os mais otimistas já falam que a coisa só vai melhorar em meados de 2017, já os pessimistas ... bem, 2018 ou 2019 estão aí, dependendo do resultado das eleições

No ambiente profissional, mais um mês se passou. Tenho oscilado altos e baixos na minha motivação, mas sigo ganhando meu dinheirinho honestamente. Trabalho e sou remunerado (ponto). Durante muitos anos me esforcei muito para fazer mais (muito mais mesmo) do que eu efetivamente deveria, mas agora estou numa fase um pouco mais rebelde de cumprir com minhas obrigações, e só! Espero encontrar em breve a motivação que sempre esteve ao meu lado e que me abandonou nos últimos meses.

Vamos aos resultados dos investimentos:

Alocação: 100% em ações* 
Rentabilidade em Julho/15: -1,03% (Ibovespa -4,17%)
Acumulado Anual 2015: +3,70% (Ibovespa +1,71%)
Acumulado Histórico Jan/12 - Jul/15: -2,75% (Ibovespa -10,86%)

*Tenho também alocação em renda fixa, mas a carteira com a rentabilidade gerenciada e compartilhada aqui no blog é apenas a carteira de ações, uma vez que o propósito principal do blog é o estudo de investimento no mercado de ações.

O aporte na renda variável foi bom, cerca de 2,5% da carteira de ações, o restante foi para RF (TD SELIC, IPCA+ 19 e 35), visando recuperar o acúmulo nesta categoria e também para manter a liquidez, prevendo alguns investimentos fora do mercado financeiro no segundo semestre.

Os aportes em ações foram para WEGE3, GRND3, CMIG3 e GGBR4, seguindo a metodologia de alocação de ativos.

Veja que WEGE3 e GRND3 estão em patamares considerados altos de preços pela maioria dos investidores fundamentalistas, mas como a metodologia que sigo busca o acúmulo de ações independentemente da cotação, sigo comprando estas na hora que tenho que comprar.

Veja como ficou a composição da carteira:



Mês de baixa na bovespa. Esta baixa foi mais acentuada no início da segunda quinzena do mês, mas houve uma recuperação nos últimos dias. Apesar da queda geral, alguns papéis se saíram bem, como GRND3 (+7,75%), GETI3 (+7,47%) e UGPA3 (+6,96%). A ponta negativa foi liderada por GGBR4 (-21,23%), CMIG3 (+17,14%) e PSSA3 (-5,97%).

Novamente GGBR4 e CMIG3 estão entre as piores da carteira no mês. É o terceiro mês seguido que a Gerdau figura no top 3 negativo e o segundo mês para a Cemig. No caso da Gerdau, a queda tem sido motivada em parte pela deterioração da crise econômica local e a perspectiva ruim para o crescimento chinês, além de insatisfação dos minoritários com atividades que impactaram a avaliação da governança da empresa. A empresa segue em observação. É muito importante ter ciência que é uma empresa cíclica e vai passar por altos e baixos junto com os ciclos econômicos, porém temos que ficar de olho como a empresa administra este período de vacas magras, pois se não for bem administrada (aí a importância da governança), corre o risco de cair e não se levantar mais (aqui falando em resultados - balanço - e não cotação das ações),

Abaixo a performance da carteira no ano, comparado com o Ibovespa.





Conclusão

Mês de queda acentuada na bolsa mas a minha carteira segurou bem o tranco. Os pouco mais de 3 p.p. acima do Ibovespa fez com que a carteira voltasse a ficar a frente do índice no acumulado do ano, além de ainda estar no campo positivo neste período.

Esperando pacientemente a tempestade passar ... segue o jogo!

Importante:
Este material tem propósito meramente informativo. Não consiste em recomendação financeira ou estratégica para investimentos. Para saber mais sobre as opções de investimento e receber recomendações, procure uma instituição financeira com profissionais habilitados.

22 comentários

  1. Olá amigo, acompanho seu blog e é a primeira vez que lhe escrevo. Gosto muito do conteúdo postado, agradeço muito pelo seu trabalho em todo mês escrever o parecer sobre o mercado e sua carteira. Temos vários ativos em comum, por isso gosto de estar aqui.

    Comecei a investir em ações há pouco tempo, vou seguindo pacientemente em bons ativos, e sei que o retorno é para longo prazo. Gostaria de lhe perguntar, através de sua experiência, se o momento atual seria interessante deixar de lado o mercado de renda varíavel, e apostar mais em CDBs, títulos do tesouro e renda fixa pela oportunidade das taxas de juros estarem superiores a 14%. Sei que o tópico é sobre renda variável e ações, mas gostaria de abrir um parênteses para ouvir a voz da experiência (risos).

    Grande abraço, e muito obrigado pelo conteúdo

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    1. Rodolpho, fico muito feliz que seja um leitor deste humilde espaço. Muito me orgulha seu comentário e palavras. O blog foi criado com o propósito de compartilhar ideias e para proporcionar o aprendizado de leitores e principalmente deste que o escreve.

      A sua pergunta é muito pertinente. Eu sinceramente não acho que seja hora de deixar a RV de lado, mas concordo que com taxas de juros tão altas, é complicado não aproveitar a segurança+rentabilidade que esta proporciona.

      Eu acredito que um bom Holder adepto dos aportes periódicos deve seguir aportando em qualquer condições, mas é correto também ter um bom balanceamento RV+RF. Eu tenho mantido um balanceamento 55% RF, 40% ações e 5% cambio./dólar. Meus aportes tem sido direcionados para estes ativos nos últimos meses. Além disso tenho imóveis.

      Na RF tenho aportado aproximadamente 10% em NTNB-P35, 10% em NTNB-P19 e 80% em LFT (SELIC), principalmente porque preciso me manter líquido para um desembolso no 2.o semestre.

      Sei lá qual será o resultado, principalmente da parte em RV, mas entendo que é um risco relativamente controlado.

      Abraços e volte sempre que tiver vontade

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    2. Complementando

      "é complicado não aproveitar a segurança+rentabilidade que a RF proporciona."

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  2. Mesmo sofrendo com CEMIG e Gerdau vc esta bem no ano, alguns ativos segurando a onda aí tipo WEGE e PSSA. Pode melhorar...
    Abraço!

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    1. Uó, é isso mesmo, algumas empurrando pra baixo e outras puxando pra cima. Este é o "poder" da diversificação. O problema de não diversificar é que ao mesmo tempo que você pode acertar nas que sobem, pode também acertar nas que caem.
      Por enquanto estou tranquilo. Repare que Gerdau e Cemig são empresas com percentual próximo a 4%, para controlar o risco.
      Abraços

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  3. Carteira segurou bem este mês, EI.

    Tomara que a temporada de balanços nos ajude a passar por toda essa turbulência.

    Abraço!

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    1. LdL, a diversificação está boa e a carteira é um pouco defensiva.
      Os balanços que saíram até agora foram bons e dentro do esperado: Natura, Grendene, Ambev, Weg, Cielo e Vale.

      Abraços

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  4. Vai passar, é só a Dilmônia ir embora! Força!

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  5. EI

    Esclareça-me uma coisa que não consigo mesmo entender...

    "Veja que WEGE3 e GRND3 estão em patamares considerados altos de preços pela maioria dos investidores fundamentalistas, mas como a metodologia que sigo busca o acúmulo de ações independentemente da cotação, sigo comprando estas na hora que tenho que comprar."

    Não entendo esse dogma que foi criado e que é seguido fielmente por alguns. Isso, ao meu ver, é incoerente com a conduta que você mesmo referiu no meu blog estar fazendo no que tange a distribuir agora os aportes em 80% para RF e 20% para RV pelo momento economico do Brasil.

    Oras, a regra vale na hora de comprar ação cara, mas não vale na hora de distribuir o aporte? E se sim, por que diabos vale na hora de comprar os ativos de RV?

    Não entenda como crítica, é mesmo uma diferença que tenho com a sua forma de investir e a do IL. É um contra-ponto apenas, ok?!

    Abraços!

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    1. Nobre Guardião, seu comentário é interessante e fique tranquilo que não me sinto incomodado com eventuais críticas, apesar de não ser o caso.

      Minha estratégia está bem consolidada e meu entendimento é que mantenho uma boa coerência sobre os aportes e a gestão do patrimônio.

      Um dos motivos pelo qual eu nunca detalhei muito minha estratégia de RF, imóveis, etc, é porque não pretendo que este espaço seja visto como um blog de finanças pessoais, com dicas de como gerir o patrimônio, balanceamento RV e RF, etc.

      Eu tenho um patrimônio bem diversificado, mas no blog eu compartilho minha jornada na RV, especificamente com as ações, visando compartilhar e aprender sobre esta classe de investimentos.

      Sobre a estratégia com RV, não existe incoerência pois sigo a risca uma estratégia de aportes periódicos mensais. Eu tenho como objetivo aportes de uma quantidade de dinheiro entre x e 2x, alguns meses aporto próximo de x e outros próximo de 2x, dependendo da disponibilidade de fluxo de caixa.

      Tudo o que sobra vai para RF. No ano passado, eu estava pagando um imóvel então praticamente tudo ia para RV, ja este ano, está sobrando mais, então esta diferença vai para RF.

      O motivo de ir para RF é porque quero ter liquidez e menor risco, tanto para usar o dinheiro agora como no futuro, em outras classes de investimento, portanto o aumento dos aportes em RF não tem nada a ver com o timing (juros altos atuais), mas com mais disponibilidade de caixa.

      Voltando para RV, esta visa a minha aposentadoria, e meu plano é aportar todos os meses um valor estipulado, independentemente do timing, taxas de juros ou da parcela que vai para RF.

      Espero ter esclarecido

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    2. Um ponto a mais sobre a RV. Minha estratégia é de investimento de 10% da minha renda proveniente do trabalho em ações até a aposentadoria, quem sabe daqui a uns 10 anos. Estes 10% são minha prioridade. O restante vai para despesas, imóveis, RF e outros investimentos.

      O valor da RV varia mês a mês porque minha renda também varia, portanto procuro ficar próximo aos 10% da renda total do mês.

      Abraços

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    3. Guardião,

      Como eu fui citado, quero participar da discussão, rs. A minha estratégia, como sempre, não mudou:

      Comprar mensalmente ações de empresas boas, FIIs de fundos bons e TD, INDEPENDENTEMENTE do preço pago por eles e reinvestir todos os proventos recebidos.

      Eu gosto de investir em ativos reais. Renda fixa, mesmo pagando quase 1% ao mês, ainda assim não atrai-me. Em todo o caso, é evidente que todo investidor deve ter uma parcela do seu capital nela.

      Abraços!

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    4. EI agradeço a cordialidade de sua resposta.

      Pois se é uma estratégia consolidada e confortável para você e para o IL acho que devem manter a mesma!

      E fico feliz que está dando certo já que em dez anos prevê sua aposentadoria!! Sucesso na empreitada e mais uma vez minhas cordiais saudações!!

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    5. Valeu Guardião!

      O que vou dizer aqui é um pouco chover no molhado, mas não é a estratégia de investimentos a grande responsável pelo suposto sucesso, mas sim o esforço continuo para aumentar a renda e disciplina nos aportes.

      Aporto há mais de 15 anos para um "fundo" de aposentadoria, visando me aposentar aos 50 anos. O plano é o mesmo há 15 anos, e bem conservador, prevendo rentabilidade real de 4% a.a. (acima da inflação). Como estou chegando nos 40, ainda considero que em 10 anos seriam suficientes.

      Neste meio tempo minha renda aumentou muito acima das minhas estimativas, o que pode me levar a me aposentar antes ou me aposentar no mesmo tempo com um patrimônio maior e consequentemente mais conforto.

      Abraços

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    6. Concordo que a disciplina nos aportes faz a diferença. Se aumentar a renda e aumentar os aportes, a coisa fica ainda mais interessante.
      Pelo que entedi, temos uma política de aportes mensais parecida. Deve ser bom isso, rs.
      GRND3 é só alegria.
      Se o governo não bagunçar tudo, chegaremos lá.
      Abraço

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    7. ID, coloca uma coisa na sua cabeça. O governo vai bagunçar. o que você precisa é se prepara e buscar minimizar os efeitos da bagunça (leia-se diversificação do patrimônio e capacitação profissional). Assim você dependerá mais de você do que dele.

      O que falar da Grendene!?? só alegria mesmo, baita empresa

      Abraços

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  6. EI,

    Parabéns pelo desempenho. A GRND3 é uma empresa que está me surpreendendo DEMAIS! Ela é muito bem administrada e está passando ilesa pela crise brasileira.

    Eu estou satisfeito com o meu time de ações, principalmente com a novata RADL3. Agora em agosto, muito provavelmente, devo aumentar posição na MDIA3.

    Abraços!

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    1. IL, é isso aí, devagar e sempre. O importante é estarmos expostos a renda variável o maior tempo possível, desde que em níveis seguros.
      Abraços

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  7. O que achou do resultado da ultrapar nesse tri?

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    1. VdD, a Ultrapar é o tipo de empresa que eu nem faço questão de analisar detalhadamente os trimestrais, a menos que tenha alguma coisa estranha.
      Neste trimestre eu li o release na diagonal e considerei bom (em linha com os anteriores).

      No ano passado estava mais devagar. Já o trimestre anterior surpreendeu positivamente. Já este foi em linha com minhas expectativas.

      Você tem algum ponto específico que gostaria de citar?

      Abraços

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  8. Vou divulgar daqui a pouco a primeira parcial do ranking de rentabilidades, passa lá depois... Abraço!

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