Estudo de Cotação X Lucro

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Amigos, desde que comecei a investir através da compra direta de ações o assunto tem me tomado um tempo enorme de estudo em busca de encontrar respostas para os movimentos do mercado baseado em fundamentos (esqueça análise técnica!). Estes estudos tem por objetivo, mais do que me ajudar a decidir por qual empresa optar na hora de comprar ações, me confortar que realmente o investimento em ações é uma boa opção no longo prazo, pois entendendo a lógica, vou me sentir mais seguro. Após a leitura de diversos livros, sites e blogs, a teoria de que as cotações acompanham (no longo prazo) os lucros, altamente propagada por escritores como Benjamin Graham, Jeremy Siegel e localmente pelo Bastter, é a que me parece ter mais sentido.


As teorias, dentre outras coisas, dizem que as cotações tendem a acompanhar os lucros no longo prazo, ou seja, quanto mais o lucro cresce, mais as cotações vão subir. Isso pode ser comprovado em gráficos que representam a evolução histórica dos lucros e das cotações no site bastter.com. Acesse as páginas de empresas como Ambev, Ultrapar, CCR, e comprove.

Obviamente outros fatores como dívidas, margem, ROE e governança, além de fatores macro-econômicos também influenciam a cotação no curto prazo, mas como o estudo é de longo prazo vou assumir somente fatores e múltiplos relacionados aos lucros e cotações para análise.

Apesar de entender a lógica do crescimento da cotação, tenho a impressão que este crescimento não é necessariamente proporcional ou linear, já que empresas altamente lucrativas como CRUZ3 tem tido um crescimento nos lucros relativamente baixo para uma variação na cotação extraordinária nos últimos anos.

Para efeito de estudo, utilizei dados de 2 empresas CCRO3 e CRUZ3


CCRO3

Abaixo o gráfico como apresentado no Bastter.com

fonte: http://www.bastter.com/mercado/acao/ccro.aspx

Abaixo a tabela e gráficos com LPA (Lucro por ação), P/L (Preço Lucro), Cotação, Lucro Líquido e Patrimônio Líquido de 2006 à 2012

fonte: http://www.bastter.com/mercado/acao/ccro.aspx e aplicativo Grafix (http://www.grafix2.com/) para cotações

clique na imagem para ampliar


De acordo com os gráficos acima, a cotação tende a acompanhar os lucros no longo prazo, apesar de variações e divergências no curto prazo, como pode ser verificado através do gráfico de P/L. A variações no Patrimônio Líquido, pelo menos no curto prazo apresentam pouca influência nas cotações.

Crescimento acumulado no Lucro Líquido no período (2006-2012): +118%
Crescimento acumulado da cotação no período (2006-2012): +239%


CRUZ3


Abaixo o gráfico como apresentado no Bastter.com

fonte: http://www.bastter.com/mercado/acao/cruz.aspx

Abaixo a tabela e gráficos com LPA (Lucro por ação), P/L (Preço Lucro), Cotação, Lucro Líquido e Patrimônio Líquido de 2001 à 2012

fonte: http://www.bastter.com/mercado/acao/cruz.aspx e aplicativo Grafix (http://www.grafix2.com/) para cotações

clique na imagem para ampliar


De acordo com os gráficos acima, a cotação também tende a acompanhar os lucros no longo prazo com pouca variação no curto prazo, porém a proporção de crescimento se mostrou muito maior na cotação, uma vez que a Souza Cruz apresenta crescimento nos lucros menor que a CCRO3. Além disso nota-se que nos últimos anos o P/L está ligeiramente mais alto (o que pode ser um sinal que a cotação está alta se comparado aos lucros que estão praticamente no mesmo patamar nos últimos 4 anos). As variações no Patrimônio Líquido também não apresentam influência nas cotações.

Crescimento acumulado no Lucro Líquido no período (2001-2012): +159%
Crescimento acumulado da cotação no período (2001-2012): +1965%

Conclusão

Após analisar estas 2 empresas, fica muito claro que apostar em empresas com lucros consistentes e crescentes tem se mostrado um fator importante para a rentabilidade do investidor, sobretudo os adeptos da modalidade Buy & Hold, porém me chama atenção que este crescimento não é necessariamente proporcional, pois no período 2006 a 2012, a CCRO3 apresentou crescimento acumulado nos lucros de +118% enquanto o crescimento na cotação foi de +239%. Já a CRUZ3 apresentou de 2001 a 2012 crescimento acumulado nos lucros de +159% enquanto o crescimento na cotação foi de 1965% (isso mesmo, quase 2000% ou 20 vezes o valor de 2001.

Se pegarmos somente o período de 2006 à 2012 para a CRUZ3, a variação foi de +99% no Lucro Líquido contra +485% na cotação.

Tecnicamente eu não consegui chegar a uma explicação do porquê as variações foram tão diferentes nestas 2 empresas, pelo menos na análise somente de múltiplos relacionados a lucro e cotações. Me parece que como os períodos são diferentes, o efeito dos juros compostos influenciou positivamente a Souza Cruz mas por outro lado a Souza Cruz é uma empresa com crescimento menor dos lucros e mesmo assim teve crescimento maior, mesmo se compararmos o mesmo período.

Espero que tenham gostado do estudo e sobretudo que comentem seu ponto de vista.

Abraços e Bom Natal a todos!

Obs: Para efeito da análise financeira, as cotações utilizadas são as cotações ajustadas, portanto levam em conta os ajustes por proventos, desdobramento e/ou agrupamento no período, desta forma o valor na tabela pode ser diferente do valor em que a ação estava sendo cotada na data.

Atenção:
As informações, gráficos e imagens extraídas do site Bastter.com tem propósito meramente ilustrativo para efeito de estudo e análise teórica. O criador deste blog é um leitor/usuário do site bastter.com e não tem intensão de copiar ou se beneficiar de material criado por este site.

Importante:
Este material tem propósito meramente informativo. Não consiste em recomendação financeira ou estratégica para investimentos. Para saber mais sobre as opções de investimento e receber recomendações, procure uma instituição financeira com profissionais habilitados.

30 comentários

  1. Não adianta tentar achar alguma coerência nestes gráficos, mercado é mercado, se tivesse lógica todo mundo acessava o site do bastter e comprava ações analisando estes gráficos.
    Depois de testes e mais testes, estudos, trades, prejuizos, ganhos pequenos, crises, euforias, leituras, observações, eu cheguei à conclusão sobre como eu devo portar daqui pra frente em relação ao mercado acionário, e é a conclusão mais simples do mundo, o que eu irei fazer daqui para frente e constitui-se apenas de 3 passos:
    1 - Gastar o mínimo possível mês a mês e guardar o dinheiro na renda fixa, que seja na poupança como farei em 2014.
    2 - Aguardar próxima 'mini-crise' (de ano em ano ocorre uma, só olhar os últimos anos)
    3 - Quando ela chegar transferir o dinheiro da poupança para a corretora, dividir por 5, 10 ou 20 (de acordo com a quantidade acumulada), e cada parte alocar em uma empresa da lista de ativos bacanas, simples assim.
    Usarei a estratégia dos aportes mensais e periódicos apenas para o TD e para os FIIs, porque já estão em crise mesmo, rs.

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    1. Uó, eu acho que até existe uma coerência nos gráficos, pois você consegue perceber que no longo prazo a cotação "segue" os lucros. Isso é claro em todas as empresas lucrativas, é só ver no site do Bastter, mas repito, isso é no longo prazo (5+ anos). O complicado é realmente achar uma coerência na exatidão da rentabilidade de um e de outro, mas uma "certa" coerência eu acho que existe.
      O problema de esperar a mini-crise é que você aumenta muito o seu risco, pois terá que acertar o momento certo de entrar na mini crise, enquanto eu acho que o método de compras mensais e periódicas seja mais conservador. Eu até penso em fazer um misto dos 2, ou seja, comprar mensalmente mas juntar um dinheiro para um aporte mais forte nas crises.
      Esta fórmula me parece boa e acho que as pessoas em geral não seguem ou por falta de conhecimento ou porque se baseia em ter que aguardar muito tempo para se beneficiar dos juros compostos, o que normalmente é muito difícil para as pessoas seguirem, seja por questão de não deixar o dinheiro "imobilizado" por muito tempo ou então por não ter estômago suficiente para aguentar as variações comuns do mercado de renda variável.
      Abraços

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    2. Nicolau, não sei ao certo o que você quis dizer com a pergunta "Deu certo?", mas foi bem interessante ter entrado e lido novamente este post.

      Como pode ser visto no post, faltavam alguns elementos do entendimento que acredito que desde aquela época até agora a experiência tenha me mostrado. Não que tivesse erro no post, mas apenas algums dúvidas levantadas que hoje as respostas ficaram mais claras.

      Sobre a questão do preço seguir os lucros, eu fiz um estudo um tempo depois, que explicou melhor este ponto, e que na minha humilde opinião, foi uma das melhores postagens que fiz:

      http://economicamenteincorreto.blogspot.com.br/2014/04/estudo-definitivo-crescimento-dos.html

      Talvez a sua pergunta "deu certo?" se refira a estratégia descrita pelo Uó sobre juntar para aportar mais forte nas crises. É difícil saber se deu certo porque acredito que ainda não temos tempo suficiente para avaliar. No meu caso está dando, pois aportei mais forte na RV nos últimos anos justamente pelo fato da crise pós eleição 2014 até o impeachment, e tenho colhido bons frutos desta estratégia (veja minha última postagem (http://economicamenteincorreto.blogspot.com.br/2017/01/proventos-2016-uma-vitoria-no-mercado.html). O complicado é, no momento da crise, acreditar que chegou o fundo do poço e colocar muitas fichas em algo que está todo mundo descrente, mas de certa maneira eu consegui fazer isso de forma relativamente conservadora e está dando certo.

      Uó, você tem algum feedback sobre a sua experiência de 2013 para cá?

      Abraços

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  2. Esse estudo é interessante.
    A dificuldade é encontrar uma empresa que esteja imune a nossa volátil economia.
    Acredito que seja muito mais fácil fazer uma projeção de lucros em uma empresa americana que em uma brasileira.
    Lá pelo menos a economia é livre, não sofre com as intervenções do presidente.

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    1. BBB,
      Não acho que exista empresa imune a volatilidade nem aqui nem nos Estados Unidos, mas realmente lá eles se beneficiam da estabilidade governamental.
      Penso que o método está mais baseado em considerar que empresas com lucros consistentes tem mais chances de continuar com lucros consistentes no futuro, independente de uma análise mais detalhada de precificação e projeção dos lucros do que empresas que não tenham lucros consistentes. A diferença é que as com lucros consistentes, em geral já estão precificadas enquanto as com lucros inconsistentes podem se tronar um turn-around e a cotação "explodir", obviamente com um risco muuuuito maior.
      Abraços,

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  3. Você está se esquecendo que o mercado não precifica apenas a realidade (os fundamentos, lucro etc da empresa), mas precifica a realidade E a expectativa. Lembre-se da OGX e outras.

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    1. Anônimo,
      Você está correto na parte que o mercado não precifica apenas a realidade, mas OGX não é um bom exemplo, pelo menos no método discutido neste post, pois o post se baseia em empresas com lucros consistentes e a OGX é uma empresa pré-operacional que nunca deu lucro, portanto nem entra no critério para avaliação de empresas com lucros consistentes.
      Por outro lado, vemos que estas precificações "insanas" não duram por muito tempo, pois se a expectativa não for atingida a cotação não se sustenta.
      Abraços

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  4. Parece que o mercado acordou e percebeu que os múltiplos da CRUZ3 estão muito elevados e vem castigando a cotação ao longo do ano (-28%) e mesmo assim continua inflada com P/L 21. Salvo um não recorrente no 3tri e o resultado seria uma lástima, o mercado não perdoou e bateu de novo.
    No meu ponto de vista essa discrepância entre cotação e lucro já deu o que tinha que dar e a tendencia agora seria a cotação seguir mais em linha com os resultados.

    Abraço

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    1. Wagner, realmente a cotação de CRUZ3 no final do ano passado me parece que estava bem esticada e por isso a empresa vem apanhando, já que os lucros deram uma estabilizada. Concordo com você que a tendência é a cotação seguir mais em linha com os resultados mas também acho que os resultados continuarão bons por muito tempo.
      Abraços

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  5. Feliz nada a todos,
    Olha, qualquer analista e estudioso (mesmo aqueles que indicam que a melhor estratégia é indexar e comprar um ETF, estou lendo vários livros de autores estrangeiros nessa linha, e não fazer gestão ativa) é claro ao dizer que o valor de um ativo nada mais é do que os fluxos de caixa futuro trazidos a valor presente, Por isso, a cotação tende a acompanhar o lucro em períodos de prazo mais esticados.
    Os autores que indicam o investimento passivo concordam com isso, apenas apontam que é impossível fazer previsões confiáveis sobre o fluxo futuro de caixas, taxas de desconto adequada, etc. Por isso, é melhor se contentar com os retornos oferecidos pelo mercado, pagando baixas taxas por isso.

    O caso citado da CRUZ para mim, como dito pelo anônimo acima, é bem explicativo. Uma empresa com crescimento de lucros mínimo ou inexistente nos últimos cinco anos, não poderia nunca estar sendo negociada a valores equivalentes a 30 vezes o lucro, se invertemos e dividirmos o Lucro pelo preço chegaremos a 3.3%, o que é 3 vezes menos do que o ativo livre de risco está pagando. Se o payout dela fosse baixo, o que poderia fazer que o dividendo yield subisse, ela continuaria pagando muito pouco. Mesmo na cotação atual com -30%, o yield é de 4,8% e o payout é maior do que 91%. Sendo assim, a empresa não tem mais lucro para distribuir.
    Diferente de um SANEPAR com yield de 5,1%, mas um payout de apenas 40%, portanto essa empresa quando se tornar mais madura, tem bastante lucro para distribuir.

    Abraço!

    Soulsurfer

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    1. Soulsurfer,
      Eu também sou favorável ao investimento passivo, principalmente para o investidor que não consegue estudar o mercado, não tem tempo ou não gosta do assunto, pois certamente é um investimento de menor risco, por outro lado, eu tenho a impressão que alguém que faça um tipo de investimento com compras periódicas em empresas lucrativas (que se assemelha ao investimento passivo, pois não olha cotação), poderia ser melhor sucedido em sua jornada. Não tenho certeza disso, mas acredito nisso e é o que estou tentando fazer.
      Com respeito a CRUZ3, é bem complicado, pois mesmo a empresa não tendo lucros crescentes, ela continua lucrando forte e paga grande parte dos lucros aos acionistas (payout >90%) o que gera um efeito bola de neve quando você compra mais ações e continua recebendo proventos, pois você recebe cada vez mais proventos. Como os lucros são "previsíveis", uma vez que ela lucra assim a bastante tempo, o mercado precifica isso no longo prazo.
      Por outro lado, o que aconteceu em 2013 é uma demosntração que realmente ela estava ligeiramente esticada em 2012, mas não dá pra saber se ela continuará caíndo ou se voltará a subir.
      Com respeito a DY, pra dizer a verdade eu não dou a mínima importância para o DY quando escolho uma empresa, portanto não vejo muito como comparar com a SANEPAR.
      Abraços!

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  6. Pois é, Soulsurfer, acho que não tem muita lógica uma empresa que é tratada como de "dividendos" estar com yield de 4,8%, e isso com essas quedas de 30% porque em Janeiro estava em 3,4%. Uma empresa como a CRUZ3 que não cresce mais e distribui todo lucro deveria estar com o yield bem mais atrativo que a poupança, tipo uns 9% ou 10%, como ela pagou 1,02 por ação, o preço para esse patamar seria interessante de 12,00 para baixo.

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    Respostas
    1. Dantas,
      Creio que 10% seria um patamar muito alto (e interessante nesses preços). Não podemos esquecer que os lucros da empresa pelo menos crescem, isso teoricamente, no mesmo ritmo da inflação. Portanto, a comparação com a poupança não é tão precisa, pois a rentabilidade da poupança, bem como seu capital, é fixa. Isso quer dizer que se você gastar a rentabilidade para viver de renda, o capital e a rentabilidade será corroída pela inflação no médio-longo prazo. Se você fosse viver de dividendos, teoricamente você poderia gastar os dividendos, e mesmo assim o fluxo de caixa estaria protegido contra a inflação.
      Sendo assim, como a CRUZ é uma empresa madura e com fluxo de caixa bem previsíveis, eu creio que um yield de 8% já seria interessante. Portanto, talvez com uma queda maior de uns 30%, eu teria interesse. Se ela não cair, paciência, o que mais tem é ativos para se analisar e comprar (ações, debentures, imóveis físicos, FII, RF, etc).

      Abraço!

      soulsurfer

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    2. Sem dúvida, Soulsurfer, eu citei entre 9 e 10% mas uns 8% seriam interessante sim, menos que isso não tenho o menor interesse.
      É como você disse, caso o mercado busque isso, ok, caso contrário sigo aportando nas minhas demais ações e FIIs sem stress.

      Abraço

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    3. Dantas e Soulsurfer, não vejo muito sentido em analisar DY para dizer que a empresa é de dividendos. Na verdade o correto é classificar a empresa como de dividendos baseado no payout e não no DY. Minha intensão não é viver de dividendos, pelo menos agora (nem nos próximos 20 anos), portanto fico mais preocupado com o efeito multiplicador que os dividendos podem trazer.
      Eu me preocuparia em entrar na CRUZ3 agora se eu fosse fazer um aporte monstro, pois pode estar realmente cara, mas para compras periódicas (mensais ou trimestrais) pequenas, a cotação pode não fazer muita diferença no longuíssimo prazo.
      Muito boa a discussão neste tópico. Demorei para responder porque queria dedicar um tempo maior na análise dos comentários e na minha resposta.
      Abraços!

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  7. Tem um efeito que está sendo desconsiderado: Muita gente usa os dividendos distribuídos pela souza cruz para comprar mais ações... da souza cruz. Esse efeito não aparece nesses graficos, mas empurra a cotação cada vez mais pra cima. As pessoas aproveitam os juros compostos e a previsibilidade dos lucros da souza cruz para ganhar um dinheiro mais garantido no longo prazo. CCR tem concessão pra vencer, tem divida alta, tem um histórico menor. Dito isso de uma olhada nos gráficos da cruz e você vai perceber que as vezes a cotação cai mais de 50%, e as pessoas compram em baldes, jogando a cotação pro céu de novo. Em resumo, é como o mcdonalds: nao tem o melhor sanduiche, mas sempre tem demanda. Tem que aceitar isso pra ser socio dessa empresa.

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    1. Médico Investidor,
      Concordo em partes com suas observações, mas ressalto que os valores de cotação nos gráficos apresentados já levam em consideração os ajustes por pagamento de dividendos, portanto este efeito aparece sim no gráfico, o que tornou a curva ascendente mais forte. Se desconsiderar os dividendos (não haveria motivo para isso) o valor da cotação ficaria praticamente estável.
      Abraços!

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  8. Médico, o que você falou tem a ver com demanda x oferta de curto prazo, o que pode realmente ocasionar movimentos no preço da ação. Entretanto, isso se aplica a qualquer ação e não a CRUZ especificamente, pois posso usar o dividendo para comprar qualquer ação. O seu raciocínio não leva em conta também que a participação em volume do investidor pessoa física é pequena, por isso acho que tem pequeno impacto na relação oferta x demanda no curto prazo.
    Não sei se isso é condição para se aceitar ser sócio. Se nos próximos anos os lucros continuarem estáveis, é muito provável que a cotação ceda mais, para que se ajuste um dividendo yield de uma empresa madura, e a rentabilidade tenha alguma semelhança com um ativo livre de risco.
    Não faz muito sentido, na minha opinião é claro, ter P/L, P/VP esticados como se fosse uma ação de crescimento, sendo que é uma ação sem crescimento. Não se pode falar que é uma ação de valor pelos múltiplos, o que temos então? Se não é de crescimento, se não é de valor, só pode estar sobreavaliada na atual cotação.

    Abraço!

    soulsurfer

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    1. soulsurfer, o que você diz faz sentido e a CRUZ3 pode realmente estar sobre avaliada, mas o problema é que não temos como saber, pois não temos como prever o futuro.
      Pode ser que o mercado estava precificando um expectativa de crescimento nos lucros, ou não, mas nós somos meros passageiros nesta jornada.
      Desta forma, fica realmente difícil explicar a razão para a empresa ter tido um rendimento tão espetacular nos últimos 10-12 anos. Possivelmente estava sub-avaliada e passou a condição de sobre avaliada, mas não temos como saber se os lucros (se crescerem) não vão torna-la sub avaliada no futuro aos preços de hoje.
      O ponto chave do estudo é que empresas com lucros consistentes tem maior probabilidade de continuar com lucros consistentes e em paralelo, as cotações tendem a seguir os lucros.
      Abraços!

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  9. Amigos, muito obrigado pelos comentários. Achei todos muito interessantes e bem ricos, portanto fico feliz que o post tenha gerado esta importante discussão.
    Estarei respondendo a cada um dos comentários individualmente.
    Abraços,
    Blog Economicamente Incorreto

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  10. Casos interessantes. Seria legal avaliar com muitos ativos, para tentar ver se essas diferenças grandes são comuns, ou o caso da CRUZ3 é um ponto isolado.

    Ela possui múltiplos altos, mas também possui Margem e ROE excelentes. Mas ela está mais para vaca leiteira do que para empresa de crescimento.

    Mas estou junto com o soulsurfer. A não ser que ela consiga melhorar esse crescimento para uns 10%, acho que o papel ainda está um pouco caro.

    []s!

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    1. dimarcinho, pretendo fazer este mesmo estudo para outras empresas no futuro, vamos ver se consigo tempo para publicar alguma coisa ainda em Janeiro.
      Com respeito a CRUZ3, muito provavelmente outros indicadores, além do lucro, melhoraram também ao longo do tempo, o que de certa forma explica esta subida forte na cotação.
      Concordo com você que se os lucros não reagirem pode haver uma correção (que de fato já está ocorrendo este ano) para patamares mais razoáveis. O problema é justamente conseguir prever o que vai acontecer. Neste aspecto sou adepto das compras regulares periódicas, assim você ficam com um preço médio condizente com a realidade.
      Abraços!

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  11. Não acredito numa relação direta entre lucros e preço das ações. Uma simples diminuição dos lucros no trimestre (mas ainda assim, lucro) basta para derrubar uma cotação. Ao mesmo tempo, uma diminuição de prejuízo (mesmo assim, prejuízo) pode catapultar o preço da ação.
    São inúmeros fatores, conhecidos e desconhecidos, que levam à precificação das ações. E podem ser fatores externos, se o concorrente melhora, a ação da empresa cai ainda que ela continue com os mesmos fundamentos. Sobe a taxa de juros, caem os preços das ações. Muda uma diretoria, sobe o valor das ações. E assim vai.
    Acho muito interessante o seu estudo, mas como ele se baseia numa relação (preço x lucro) que na minha opinião não existe, essa é a causa de você não conseguir explicar o porquê da diferença encontrada.
    Um ótimo 2014 para você, e parabéns pelo blog!

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    Respostas
    1. Adam, você tem todo o direito de discordar, o que certamente enriquece a discussão, mas a meu ver você poderia reconsiderar que existe sim relação entre lucro e cotação, mas no longo prazo (5+ anos).
      Todas as observações que você citou sobre precificação são válidas, mas referem-se ao curto prazo e no curto prazo o mercado é totalmente maluco mesmo. Já no longo prazo, vai ser muito difícil você encontrar uma empresa lucrativa por bastante tempo que a cotação não tenha acompanhado.
      Acho que não pode ser o único fator a ser utilizado para analisar uma empresa, mas se não dá lucro, acho que é um bom motivo para descartá-la sem perder tempo em analisar outros fatores.
      Abraços!

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  12. Como falaram acima, o preço de uma ação é o que a empresa é hoje + perspectivas. Antigamente Souza Cruz tinha múltiplos baixos. Em 1996 seu P/L era de 4 e ela continuou por um bom tempo com múltiplos baixos. Copm o tempo o mercado foi vendo que a propaganda negativa não afetou os lucros e seus múltiplos aumentaram. Não é porque os lucros dobraram que a cotação dobrará também. Não é uma ciência exata. Tem muita psicologia envolvida.
    Abraços

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    Respostas
    1. Olá AdP, realmente o ponto chave no caso da Souza Cruz foi a mudança nas perpectivas da empresa que elevaram o P/L, potencializando a rentabilidade para os investidores.
      Também cheguei a conclusão que não é uma ciencia exata e os fatores psicológicos são, na maioria das vezes, os mais importantes.
      Abraços

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  13. EI,

    O motivo pelo qual houve um aumento maior na cotação do que no lucro é devido ao risco agregado a empresa.
    Por exemplo. A Souza Cruz apresenta lucros consistentes e crescentes, isso significa que ela é uma empresa que muito dificilmente dará prejuízos, o que por sua vez diminui o risco agregado a ela. Com um menor risco os investidores aceitam a pagar mais caro pelo lucro da empresa. Pense você, é melhor pagar R$200,00 para receber R$10,00 ou pagar R$100,00 para possivelmente receber entre R$15,00 a R$1,00 ? O primeiro é mais atrativo, apesar de ter um valor bem mais caro.
    Empresas boas tendem a descolar o valor da cotação em relação aos lucros, pois elas com o passar do tempo agregam menos riscos, lógico que há quedas na cotação quando falamos de crises, mas isso são outros quinhentos.

    Uta!

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    Respostas
    1. Estag, interessante seu ponto e faz todo o sentido, como houve diminuição do risco, obviamente o mercado deve pagar um pouco mais por este risco menor. Foi exatamente isso que aconteceu.
      Valeu.
      Abraços

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  14. Pessoal,

    Mais um capítulo da série sobre Valuation x Buy & Hold

    A Falácia do Valuation no Buy & Hold
    http://economicamenteincorreto.blogspot.com.br/2014/02/a-falacia-do-valuation-no-buy-hold.html

    Espero que gostem.

    Abraços,

    Blog Economicamente Incorreto
    http://economicamenteincorreto.blogspot.com.br

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