Brazil: Buy or Sell?

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Passados cinco meses do novo governo, infelizmente as cicatrizes da polarização política ainda estão abertas e não conquistamos a estabilidade que almejamos. Durante o período eleitoral, eu sempre tive um pé atrás com o Bolsonaro, mas confesso que eu tinha uma grande expectativa de que as coisas iriam caminhar para um período de melhor estabilidade, tanto do ponto de vista econômico, como do ponto de vista político, fato que não aconteceu ainda.

Infelizmente o presidente ainda mantém um discurso de palanque eleitoral e com uma postura populista, cercado por filhos e pessoas, como o tal Olavo de Carvalho, que adoram apagar o fogo com gasolina. Sob o pretexto de acabar com os comunistas, esquerdistas e o chamado viés ideológico a esquerda, vale tudo para negar o que foi feito e conquistado no passado. Infelizmente os políticos deste país (e do mundo?) adotam há anos o discurso da herança maldita e da evolução através da disrupção (destroi e constroi novamente), ao invés de uma postura de evolução incremental.

No momento que escrevo, noto que há umas 3 semanas temos uma certa estabilidade nas polêmicas gratuitas e o país começa a ter uma agenda mais positiva, sobretudo no congresso. Tenho a impressão até que depois da última polêmica, envolvendo Bolsonaro, filhos, militares e Olavo, há umas 4 semanas, todos resolveram dar uma trégua, possivelmente por um basta vindo dos militares que poderiam abandonar este governo.

Bem, não sou cientista político, portanto meu objetivo não é formar opinião de ninguém sobre o tema, mas o fato é que ainda sinto muuuuuita instabilidade no ar e, por mais que as coisas possam parecer estar melhorando do ponto de vista econômico, pensando no longo prazo, nada impede que este país volte a estaca zero, volte a eleger populistas de esquerda no futuro e o processo de venezualização impere de vez (vide o que está acontecendo na Argentina e a ameaça de volta da D. Cristina).

Diante disso, estou acelerando meu processo de alocação de parte do meu patrimônio no exterior e em moeda forte. Nada garante que a economia dos Estados Unidos continue a ser a melhor e que não aconteçam crises por lá (é certo que crises acontecerão), mas o fato é que no campo das probabilidades, é muito mais fácil o Brasil levar um tombo que os Estados Unidos ou outros países desenvolvidos estáveis.

No início do ano, meu plano era ter cerca de 5% do capital em moeda estrangeira, como proteção cambial, mas no início do ano resolvi aprofundar meus estudos sobre investimentos no exterior e, diante dos riscos que vejo no país, aumentei minha meta para 10% do meu capital  disponível no exterior até 2021. Outro fator de influência para esta decisão é que pretendo passar uma temporada de 2 anos vivendo na Europa e para isso preciso ter um bom "pé-de-meia" em moeda forte para minimizar o risco cambial.

No final do ano passado eu tinha cerca de 3,3% do meu patrimônio alocado em operações cambiais (dinheiro em conta no exterior, moeda em espécie e IVVB11). Nestes 5 meses, este percentual praticamente dobrou para 6%, com aportes totalmente no exterior, através de remessas legais. Como estou bem próximo de alcançar a independência financeira, tenho como meta dobrar novamente o montante no exterior nos próximos 2 anos que, associado com o crescimento do patrimônio no Brasil, deverá chegar na proporção 90% Brasil e 10% exterior.

Atualmente minha carteira no exterior está com a seguinte composição em ETFs, sendo 25% em renda fixa e 75% em 5 ETFs variados com boa diversificação global, mas com peso maior nos países desenvolvidos:


Voltando a pergunta no título do post (Brazil: Buy or Sell?), ainda sigo em dúvidas sobre a alocação 90/10 citada acima. Ontem mesmo liquidei uns 15% dos meus títulos do Tesouro Direto IPCA+ 2035, que tiveram uma rentabilidade de quase 6% em maio (e quase 50% em 12 meses), devido a queda nos juros longos e estou em dúvida sobre o que fazer. 

O motivo da liquidação é que o risco/retorno para este título tão longo, com taxa tão baixa não me parece muito atrativo, sobretudo com os fatores apresentados no início da postagem. Minha voltade é mandar tudo pra fora, o que aceleraria muito o processo de internacionalização do patrimônio, mas estou bem em dúvida mesmo.

Esta liquidação do TD IPCA+ 2035 representa cerca de 3% do capital total uns 15% do que tinha em TD IPCA+ 2035.

E aí, o que acham? Brazil: Buy or Sell?


Importante:
Este material tem propósito meramente informativo. Não consiste em recomendação financeira ou estratégica para investimentos. Para saber mais sobre as opções de investimento e receber recomendações, procure uma instituição financeira com profissionais habilitados.


18 comentários

  1. Bolsonaro calado é um poeta.

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  2. Barsi que o diga...
    No próximo ano haverá eleições nos EUA, é em torno de 10 meses antes da eleição e 2 meses após, a bolsa tende a recuar, aí será um período mais propício para dolarizar a carteira.
    Abraço
    Bagual

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    1. Bagual, interessante essa colocação. Há algum grafico ou artigo que mostre isso?

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    2. Bagual, honestamente, mesmo que haja evidências desta tendência, o problema é saber se acontecerá isso novamente ou não, sem contar que as coisas aqui podem acontecer de maneira diferente do mercado global. Sigo em dúvida.
      Obrigado pela visita!
      Abraços

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  3. Olá EI,

    Acertar a economia sem travar a guerra cultural é a receita para mais um voo de galinha.

    A limpeza cultural e ideológica é necessária visando um período mais longo de prosperidade.

    De qualquer forma, com todas as dificuldades, as reformas estão andando e muita coisa boa está acontecendo.

    Acredito que a economia irá melhorar e o dólar irá corrigir para um valor mais interessante para ampliar a diversificação internacional.

    Abçs!

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    1. II, obrigado pela visita.
      Eu não tenho dúvida que uma limpeza cultural e ideológica é necessária, mas me parece que o caminho que está sendo adotado não seja o mais adequado. Pelo menos esta é minha percepção.
      Entendo sua crença na melhora, e eu também tenho esta visão otimista, mas as coisas podem dar errado, por isso tenho tentando isolar meu otimismo, sobretudo considerando o histórico do país e de outros países com nossa cultura.
      É mais provável que eu faça aportes em dólar em ritmo mais acelerado que os atuais, mas ainda de forma moderada para minimizar o risco cambial.

      Abraços!

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  4. EI, bacana. Veja, estou no mesmo dilema. Quero proteger meu patrimonio também, e penso que 10% em mercado americano e 5% em mercado europeu. Este ano estou iniciando os estudos, para colocar em pratica no ano seguinte. Por ora, ainda apostando no mercado brasileiro, que dolarizado ainda está baixo.

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    1. opa, obrigado pela visita Guardião.
      Acredito ser inevitável proteger o petrimônio em moeda forte para alguém com um montante razoável.
      Para você ter uma idéia, em jun/2011 eu tinha um patrimônio em USD que, com a variação cambial, levei mais de 5 anos voltar ao mesmo patamar (jun/2016), sendo que de 2011 a 2016 minha renda em R$ foi muito alta. Atualmente meu patrimônio em R$ é 3,5 vezes maior que em jun/2011, mas em USD ele é apenas 37% maior.
      Como vai ficar no futuro é difícil saber, mas quero evitar novos tombos como este.
      Boa sorte com os investimentos no exterior. O site do Investidor Internacional que comentou aí acima é o melhor para explicar os procedimentos. Avise se precisar de alguma ajuda.
      Abraços

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    2. Guardião, relendo meu comentário, acho que ficou confuso. Neste período 2011 a 2016 meu patrimônio era todo em R$, quando falo "patrimônio em USD" estou me referindo ao equivalente em USD do meu patrimônio em R$.

      Logo, se hipotéticamente eu tinha em 2011 um total de R$ 1,56M, ou o equivalente a US$ 1M (cambio de 1,56), com a perda cambial, levei 5 anos para voltar ao US$ 1M, ou algo próximo a R$ 3,3M (cambio de 3,30).
      Abraços

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  5. Rapaz... vc disse muito do que penso. O Governo parece ter boas pessoas para tocar o barco melhor (acredito muito na postura do Paulo Guedes (embora discorde com algumas posições, já que ninguém agrada todos em tudo)), mas parece que a coisa não anda, polêmicas desnecessárias... esse negócio de se apoiar em Olavo de Carvalho (que considero um extremo oposto de Guedes no sentido de ser uma pessoa séria a se levar em conta). Enfim... esse brasilzão parece que tem sua essência no modo de ser mesmo e é difícil mudar isso.

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    1. Pois é Kronos, estamos bem arrumados com a classe política deste país ... minha expectativa é bem baixa de melhoras para o futuro, apesar de concordar que tem gente boa (Guedes & team). O problema é esta turma conseguir realizar alguma coisa neste ambiente de conflito contínuo.
      Abraços

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  6. Olá Economicamente Incorreto! Parabéns pelo excelente trabalho. Venho acompanhando a um tempo seu site e tenho aprendido bastante. Gostaria de saber se você pode divulgar meu site aqui no seu blog.

    Meu site é voltado para Dividendos no Exterior. Invisto 100% no Mercado Americano e decidi criar um site para divulgar minha trajetória e meus conhecimentos.

    O endereço do site é : https://www.ivonoe.com

    Fico no aguardo de uma resposta, para incluí-lo em meu site também. Obrigado!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. EI, quais as conquistas dos governos anteriores? Poderia elencar? Até onde sei, deram um rombo de mais de 2 trilhões entre roubos, perda de oportunidade, má gestão, sucateamento da máquina pública, compadrio e desmoralização internacional de nossa economia, com fuga de dinheiro e de investidores. Geraram no mundo real, mais de 25 milhões de desempregados.

    Destruiram as universidades públicas, as escolas técnicas, nosso ensino fundamental só piorou no teste de Pisa (internacional), nossa juventude virou uma massa de manobra. Desarmaram a população, a violência explodiu: temos um assassinato a cada 8 minutos no Brasil, 53.000 estupros por ano, 60.000 mortos no trânsito. A saúde pública é uma VERGONHA, com gente morrendo nas portas dos hospitais. Nossas estradas, um lixo.

    Cada estatal é uma máquina de rasgar dinheiro e de doutrinação ideológica. A economia movida a dar crédito para quem não sabe fazer contas e não tem dinheiro para pagar o "carnê", mostra agora a enorme desgraça do "nunca antes neste país". Economia movida a consumo com subsídio? Só rindo.

    O Brasil tem sim uma dívida com Olavo e com Bolsonaro, como também com cada um de nós que não apoia o socialismo, corrupção, bandidagem, ideologias doentias, drogas e libertinagem disfarçados de democracia. O BNDES virou o banco do PT para financiar o socialismo e o roubo na América Latina, África e Oriente Médio, via Foro de São Paulo e o Sr. João Santana (que fingia ser o marqueteiro de presidentes fora do Brasil, lavava dinheiro também).

    Sinto muito, mas não consigo ver avanço no massacre de uma nação por 22 anos. Bolsonaro não é perfeito, as vezes fala umas bobagens por ser simples demais, mas não é Lula nem Dilma. Lula falava coisas absurdas e era aplaudido pela "elite intelectual" dos filhos da puta mamadores de grana da Rouanet.

    Aprendi a gostar de quem arrisca a própria pele, Bolsonaro fez e faz isso. Ao invés de falar, ele age: só Moro e Guedes, já valeram o voto nele - e ele nunca usou o nome "Moro" na sua campanha eleitoral. O Tarcísio, da infraestrutura, é um monstro de ministro também e é a maior nota da história do IME.

    Tenha mais fé: não temos homens perfeitos, mas existe um oceano de diferença entre Bolsonaro e a escória do PT. E sinto em te informar: se não batermos agora na ideologia da esquerda, meu amigo, sugiro transferir logo todo seu dinheiro pro exterior. Luciano Huck, Rede Globo, Paulo Hartung, Joaquim Barbosa, FHC et caterva estão unidos no projeto "Renova Brasil" da velha esquerda, disfarçada mais uma vez, de salvação do Brasil e de "elite intelectual". Eles não desistem, só mudam as escamas.

    O combate ideológico é VITAL para o país dar certo e tem que ser feito agora. Sem ele, apenas eleger um "não petralha" logo acabará com a volta triunfal da esquerda. Pior maldade feita com nosso país foi roubar o futuro de uma geração com todo esse lixo marxista e esmolas públicas, cotas raciais, ideologia de gênero (PQP...) e outras porcarias. Enquanto aqui ensinam "sociologia", na Coréia do Sul ensinam "como programar um computador", "como construir aeronaves" e por aí vai.

    E cuidado: no momento, parece que IBOV é compra e lá fora é venda. Para terminar: acha mesmo que foi Rodrigo Maia quem "trabalhou" para conseguir aprovar a Reforma da Previdência? O mesmo que por meses foi contra, nos bastidores? Ele é muito esperto: viu o clamor popular, imediatamente tentou posar de salvador do pacote aprovado - eu cantei a pedra antes a todos que conheço.Para gente assim, só importam votos.

    Guarde uma coisa: todo político deve ser vigiado, pois todos eles erram. Estou dando uma chance a Bolsonaro e ele precisa. Não serei eu que vou juntar minha voz aos esquerdistas e aos velhacos corruptos de plantão - que não tem ideologia, mas adoram o poder para simplesmente roubar dinheiro público. Por que você acha que o André Esteves, "o banqueiro do Lula", comprou a revista Veja? Para investir? Pense nisso, muita coisa boa já está acontecendo.

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    1. HM, obrigado pelo longo e atencioso comentário neste espaço.

      Veja só, eu escrevi este postagem há pouco mais de 1 mês, e coincidentemente tivemos um período de menor turbulência do ponto de vista de polêmicas geradas pelo governo, sendo que coincidência ou não, Olavo de Carvalho e Bolsonaro's sons deram uma trégua e pararam de apagar fogo com gasolina (tivemos outras polêmicas como a história do Moro+Intercept, tribulante preso com cocaína, mas considero estas coisas fogo de palha e do dia-a-dia da política). O próprio presidente deu uma baixada no tom em muitas coisas, apesar de que quando resolve abrir a boca ainda passa do ponto, como esta história de colocar um ministro no STF terrivelmente evangélico.

      Conheço pouco o Olavo de Carvalho, mas acho exagerado dizer que o país deve alguma coisa a ele.

      Como comentei no post, não desejava discutir opinião sobre a questão política, pois corremos o risco deste espaço virar uma arena ao estilo Facebook/redes sociais, e não desejo isso deste humilde blog.

      Apenas alguns pontos para expor meu ponto de vista desta saudável discussão e reforçando o que eu disse na postagem, eu acho que tivemos alguns avanços no país no período PSDB-PT. Acho que uma nação sólida se constrói com cada governo colocando um tijolo sobre outro, sendo que muitas vezes uma coisa não pode ser feita sem que outra tenha sido feita antes, mas normalmente não nos damos conta disso (obviamente existe e necessidade de correção em determinadas situações, mas não de destruir tudo para reconstruir).

      Olhando para o país, vejo evolução em alguns aspectos, sobretudo de diminuição da desigualdade. Podemos alegar muitas coisas, é fato que este é um país com muita pobreza e ainda temos milhões de pobres vivendo em condições desumanas. Se olharmos o país através das lentes dos nossos óculos Ray-Ban, possivelmente vamos enxergar problemas nas coisas que nos afetam no dia a dia, mas existem muitas outras que não estão ao alcance de nossas vistas.

      O grande problema do PT é que ele passou do ponto, assim como os governos de esquerda Latino Americanos, sobretudo a Venezuela. Isso acontece porque não temos legislação adequada e instituições fortes na região que limitem as manobras ideológicas (a esquerda ou direita) com projeto de poder eterno. Me lembro no auge da popularidade do Lula, se falava em aprovar uma lei para retirar o limite de uma única reeleição. Na ocasião, fiquei indignado pois via uma manobra ao estilo Chaves na Venezuela. Eu até disse em conversas familiares que mudaria de país, apenas com a possibilidade ser aventada, mas a opinião pública não se manifestou tão fortemente contra isso. Por sorte esta ideia não foi pra frente.

      Governos de direita e esquerda vão e vem, como em muitos países do mundo, o problema é o viés ideológico e a falta de limites. Os liberais miram uma sociedade liberal como a norte-americana, mas poucos aceitam abrir mão de direitos sociais como os existentes em países europeus. Honestamente acho utópico considerar o modelo americano para o Brasil, pois nossa formação como nação dificilmente se converterá neste modelo. Insistir neste modelo, apenas abrirá as portas para um retorno triunfal da esquerda.

      Eu não queria o PT de volta ao poder de jeito nenhum, mas o problema é que continuamos tendo um governo populista, só que desta vez a direita. Reconheço que nomes como Guedes e Moro são fortes, portanto, se este governo conseguir firmar os alicerces sólidos que preparem o país para o sonhado desenvolvimento como nação, limitando o poder do populismo, já me darei por satisfeito.

      Sigo com um pé atrás com o país, não acho que seja Sell, mas também não estou comprando. Sigo mandando boa parte dos novos rendimentos para fora, o que me dá mais tranquilidade por ver parte do meu dinheiro em locais mais seguros e em moeda que realmente tenha valor.

      Forte abraço!

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    2. Apenas complementando, relendo o comentário, pode parecer que eu tenha simpatia pelo PT ou pela esquerda. De fato não tenho e já me manifestei muitas vezes contra eles, como nestas postagens:

      http://economicamenteincorreto.blogspot.com/2014/10/vai-pedir-para-dilma.html

      http://economicamenteincorreto.blogspot.com/2014/10/presidenta-senhora-entregou-o-que.html

      Mas eu também não acho que todos os problemas do mundo sejam a esquerda ou políticas sociais.

      Eu concordo que o PT quebrou o país de forma absolutamente desonesta, aparelhou o estado e criou uma década perdida do ponto de vista econômico.

      Era urgente a necessidade de tirar estes sangue-sugas do poder e estabelecer um modelo de país menos centralizador no governo federal, com diminuição do tamanho do estado e com políticas mais liberais.

      Abraços

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